Diário 15/06/20

É tão bom estar de volta a casa.

Foram 6 dias fora de casa e longe da minha família, mas para mim pareceu muito mais do que isso, foram dias muitos longos os que passei no hospital.

Não foi fácil, não pela minha situação, mas por tudo o que assisti enquanto lá estive, a dura realidade de quem muito pouco pode fazer por si próprio e que depende e muito dos outros para continuar a viver.

Foi um ambiente muito duro, no quarto onde estive estava mais outros 3 pacientes, um dia nesse quarto quebrava qualquer um, até ao ser mais forte a nível psicológico.

Percebi e muito a sorte de que eu tenho e sempre tive, eu neste momento estou a escrever e estou a chorar pois acreditem não foi fácil, só de me lembrar de todos aqueles momentos e a perceção que tive de muita coisa de que eu não tinha noção da sua realidade, de que eu achava mau demais para acontecer seja a quem for.

Mas o pior ficou para o fim no último dia da minha estadia, numa conversa com uma auxiliar, por um motivo pouco interessante veio até mim de uma forma muito inesperada, uma perceção de outra dura realidade, que só por si me deixou de rastos.

Em comparação a todos os dias anteriores aquele foi sem dúvida o pior momento, quando percebi através das mantas mais pequenas que a auxiliar com quem eu estava a conversar disse que tinha de levar ao piso de cima de onde eu estava internado.

Isso deixou-me de rastos, psicologicamente fiquei muito afetado, com tudo aquilo a que eu assisti e tive a perceção da dura realidade.

Eu não vou entrar em detalhes, nem posso porque não seria bom para quem estiver a ler, apenas quis desabafar um pouco, aliviar a pressão; é claro que se pode supor do que seja, mas sem confirmação a vossa cabeça dorme mais descansada.

Foi pouco o que escrevi para descrever como me sinto e como passei estes momentos.

Quando sai do hospital e fui ao encontro da minha esposa e do meu filho que me esperavam no carro eu não me contive e comecei a chorar.

Chorava de alegria e felicidade por estar com eles e por tudo estar bem, mas também chorava de alívio; foi um tremendo alívio sair daquele sítio.

Sítio esse que mexe com a nossa mente de uma forma tão agressiva.

Mas isso já passou, e agora é tempo de recuperar o físico e o psicológico, junto de quem amo no conformo do meu abençoado lar, com os melhores enfermeiros que eu poderia desejar; a minha esposa e o meu filho, estão sempre de volta de mim, que espetáculo.

Eu tenho tudo o que preciso para ser feliz!

Escrito por

Tudo o que existe de bom na vida me fascina.

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